Bem Estar

Conheci a pouco tempo o Projeto Mãos na Massa e fiquei encantada e interessada pelo assunto, não só pela iniciativa mas pela pouca idade dos meninos que vindos de famílias tradicionais paulistanas estão trocando passeios e viagens para ajudar ao próximo. Inicialmente idealizado por Arthur Schahin, o Mãos na Massa é um projeto sem fins lucrativos que trabalha em São Paulo reformando casas e dando uma estrutura de qualidade para pessoas que necessitam.

A ideia surgiu em 2016 após um trabalho comunitário na Tanzânia com a organização “World Challenge”, onde Arthur e alguns amigos reformaram escolas nas comunidades por lá. “As crianças tinham a felicidade estampada em seus rostos a medida que viam suas escolas sendo melhoradas, e até mesmo a qualidade de estudo melhorou”.

Algumas semanas após a viagem, o grupo de voluntários paulistanos se reuniu e conversou sobre a possibilidade começar algo aqui.

A conversa evoluiu e foi criado o Mãos na Massa para fornecer à pessoas deficientes, uma casa para que possam morar, sem problemas de infra-estrutura.

Além disso o trabalho contribui também para os voluntários que se dispõe a ajudar. Todos eles saem muito felizes e realizados sabendo que ajudaram a melhorar a vida de pessoas menos favorecidas. Ao fim de uma reforma, não só a vida dos donos da casa é transformada, mas a vida de toda a equipe e voluntários também, que termina a missão cheia de gratidão e alegria.

maos-na-massa

O LeBlog fez uma entrevista com Arthur Schahin para mais detalhes sobre essa iniciativa incrível:

– Você já compartilhou que o sonho do projeto começou depois de uma viagem para a
África. Como chegou na ideia final do Mãos na Massa?

A ideia surgiu no meio de uma das conversas que tínhamos na África. Estávamos
conversando que deveríamos fazer isto em São Paulo para ajudar a nossa comunidade,
porém quando chegamos eu reforcei a ideia porém não foi muito adiante. Expressei-a para meus pais e também para meu motorista, que convivi em uma igreja Cristã em que há várias pessoas que necessitam um lugar adequado para morar. Eles disseram que era uma excelente ideia, meu motorista falou que já sabia quem ajudar e daí em diante, chamei apenas meus amigos que viajaram para África para participar. Neste semestre, criei o site com auxílio do LeBlog e abri para todos.

– Você acredita que o ato de viajar muda a perspectiva das pessoas em relação ao
outro? Fale um pouco sobre o poder da viagem em ampliar horizontes, em
transformar de certo modo a o olhar de uma pessoa.

Sem dúvida alguma. Esta viagem mudou não só a minha percepção da realidade fora da
nossa “bolha”, mas de todos do grupo. Tínhamos uma idéia parcial de como há lugares
pobres, e de que realmente não necessita muito para viver (como estávamos lá: uma
mochila com pouca roupa, barracas, uma quantia pouca de dinheiro, etc.). E sim, viajar
amplia o conhecimento das pessoas culturalmente e podem transformar, como me
transformou. Desde então, sempre tento ajudar pessoas, porque estou ciente que são estas pequenas ações que podem levar a maiores e daí por diante, e assim melhorando o nosso mundo.
 
– Quantas pessoas estão hoje envolvidas no projeto?

Por volta de 40. Desde pessoas que trabalham fisicamente, as pessoas que contribuem
financeiramente, os pedreiros e também tem um grupo de 10 pessoas com o objetivo de
juntar dinheiro para o projeto.
 
– Qual tipo de ajuda o projeto oferece, e quantas pessoas já ajudaram?

Oferecemos ajuda física indo para a propriedade, ou apenas o terreno da família para construir sua casa. Também trazemos conosco alegria e felicidade que faz diferença nas 4-5 horas de duro trabalho (o proprietário da casa em que trabalhamos, Sidcley, disse que “a ONG Mãos na Massa virou uma família para mim”. Desde outubro do ano passado, iniciamos a casa de um casal de deficientes visuais e estamos prestes a acabar. Depois disto continuar com a ajuda em outras casas.
 
– Como são escolhidas as pessoas que receberão essa assistência?

Como disse previamente, meu motorista faz parte de uma comunidade Cristã em que há
várias pessoas com esta necessidade. Como ele já os conhece, facilita na escolha
(levamos em consideração a localização e também a família em que vamos ajudar). O Sid foi escolhido antes que pensávamos em expandir o projeto e que não necessariamente todos irão ser escolhidos da mesma forma.

– Como você vê o futuro do Mãos na Massa? Pretende expandir?

Com certeza. Em um pouco mais de um mês da divulgação inicial, já temos mais ou menos 40 participantes. Espero que este número aumente cada vez mais, e que comecemos ajudar ainda mais famílias. Portanto, quero continuar fazendo o mesmo trabalho que fazemos agora com o Sid mas com outras famílias.
 
– Quais as dificuldades que você enfrenta tocando um projeto desse tipo no Brasil? O
que gostaria que fosse diferente?

Uma dificuldade que encontrei neste mais de um mês de projeto (oficial) é receber dinheiro.
Apesar da divulgação que tivemos (que não foi muito), nem muitos doaram. Se alguém deseja ajudar o Mãos na Massa, como deve proceder?
No site (www.maosnamassa.org), colocamos uma página escrito “COMO AJUDAR”. Nela “demos” três opções: divulgando (o site e o instagram: @projeto_maosnamassa), doando (link do paypal também está no site) e/ ou ajudando
fisicamente (a construir as casas). 

maos-na-massa2

Visite o site e saiba mais sobre essa iniciativa incrível!