Viagens

No mês passado fiz uma viagem incrível para conhecer Chachapoyas, uma província do Peru com milhares de anos de história localizada na região de Amazonas. Um lugar impressionante onde a cada ano se descobrem novos tesouros arqueológicos.

Os Chachapoyas fazem parte de uma fascinante cultura arqueológica do antigo Peru, localizados na Amazônia Peruana. Seus vestígios trazem evidências dessa sociedade desde o ano 700 até o ano 1476, fazendo desse povo, um povo mais antigo que os Incas. O Império Inca conquistou sua civilização pouco antes da conquista espanhola no século XVI, com muita resistência dos Chachapoyas. Esse nome foi dado a eles pelos Incas e não há registros de como se autodenominavam. Chachapoya é uma palavra derivada da expressão quíchua sach’a phuyu ( sach’a = árvore, phuyu = nuvem) que significa “floresta de nuvens”, ou da expressão sach’a-p-qulla ( sach’a = árvore, p = da, qulla = excelência). Em geral, eles eram conhecidos como guerreiros das nuvens.

Ainda hoje, arqueólogos e historiadores trabalham em cima das ruínas, cerâmicas e tumbas deixadas pelos últimos nativos, para poder dar mais informações para a humanidade sobre os Chachapoyas.

Chachapoyas é também o nome da cidade colonial que fica no Estado do Amazonas peruano, no norte do país, região ainda pouco explorada pelos brasileiros e cercada por uma belíssima paisagem montanhosa que esconde mistérios de civilizações antigas ainda pouco conhecidos por nós. Encravada numa região conhecida como ‘Selva Alta’, a cidade tem cerca de 33 mil habitantes e está a 2.335m de altitude. Tudo gira em torno do charmoso centro histórico, onde também encontramos um centro de informações turísticas do Peru inteiro. Em volta da praça estão os hotéis e restaurantes, na maioria com comida típica peruana.

Os principais atrativos da região ficam a pelo menos 2 horas de viagem montanha acima, então se você quiser conhecer todos, o ideal é reservar uns 4 dias para a viagem.

A nossa viagem começou em Lima, de lá pegamos um vôo para Jaén, local onde está o principal aeroporto da região. De lá seguimos para o hotel e cada dia escolhemos um atrativo para conhecer. Lembrem-se que lá tudo fica longe, então cada atividade costuma durar um dia todo.

Veja detalhes dos principais atrativos turísticos:

Mausoléus de Revash

Depois de um trajeto de carro (o tempo vai depender de onde estiver hospedado) partimos a cavalo do Pueblo de San Bartolo até chegar nos Mausoléus de Revash, localizado a 2800 metros, com subida com cerca de 20 minutos. 

Nós observamos os mausoléos a uma distância aproximada de 100 metros, de um lugar estratégico, para melhor apreciar este complexo funerário completo.

Esses “famosos” mausoléus eram sepulcros coletivos que ocupam cavernas naturais ou escavadas na parede rochosa. Arqueólogos que estudam a região sustentam a ideia de que esses mausoléus são replicas das casas onde viviam as pessoas ali enterradas. Em cores de bege e rosado, alguns sepulcros tem dois andares e janelas que variam em forma de T, cruz, ou quadradas. Parte das paredes rochosas tem pinturas de círculos, lhamas e outros símbolos sagrados. Alguns carros levam os turistas até os pés dos mausoléus, agilizando a caminhada que desde Hierba Buena levaria uma hora e meia de subida.

Os Mausoléus de Revash são uma necrópole pertencente a Cultura Chachapoyas. Estão localizados no distrito de Santo Tomás, na província de Luya, Amazonas. 

Museu de Leymebamba

O Museu está próximo aos Mausoléus de Revash e vale a pena combinar os dois passeios em um único dia.

O Museu Leymebamba mostra tradições arquitectônicas locais desde a época dos Chachapoyas e guarda una valiosa coleção de 240 múmias e suas oferendas funerárias. Elas foram recuperadas em 1997 da Lagoa de los Cóndores em um projeto arqueológico liderado pelo Centro Mallqui. O resgate permitiu recuperar para a história local uma valiosa colecção arqueológica que estava em risco de desaparecer devido à saqueadores e vândalos. Depois desse resgate, a construção do museu foi concluída para abrigar toda essa história.

Cachoeira Gocta

Com 771 metros de altura, a Cachoeira Gocta é uma das mais altas do mundo. Foi descoberta em 2002 por Stefan Ziemendorff. O alemão se deparou com essa beleza enquanto explorava sarcófagos na província de Luya-Lamud, Amazonia peruana. Para chegar até ela é preciso percorrer um trajeto longo de 6km de ida e mais 6km para descer. Durante o caminho passamos por lugares lindos com uma grande diversidade de fauna e flora e pudemos avistar uma paisagem belíssima com montanhas a perder de vista e diversas quedas d´água.

A perfeita combinação de geografía e história faz deste um lugar mágico!

Fortaleza de Kuelap

Encontrada por volta de 2008 e 2009 Kuélap é a maior obra arquitetônica Chachapoya que se tem registro até agora.

Conhecido como a nova Machu Picchu do Peru, o sitio arqueológico está em uma região alta e de penhascos, com muralhas que tem cerca de 20 metros de altura e recontam um pouco da cultura Chachapoya através de ruínas, pedras e desenhos. A subida, com cerca de 1 hora de caminhada, pode ser feita a cavalo.

A arquitetura completa do seu interior evidencia a sua função de pueblo bem organizado. A paisagem que o rodeia é um espetáculo da natureza.

Dentro da fortaleza foram encontradas cerca de 500 casas Chachapoyas. Todas em formato circular, o que transmitia a ideia da eternidade do circulo, forma geométrica que não tem fim. Segundo arqueólogos isso seria uma indicação de os Chachapoyas acreditarem na vida após a morte. A maneira como tratavam os corpos mortos, encontrados embalsamados em muito bom estado, também seria uma indicação dessa crença entre eles. Sua sociedade era muito organizada porém bem igualitária, com poucas barreiras hierárquicas. A arquitetura inteligente chama a atenção, com construções feitas de maneira estratégica. Cada espaço era pensado para promover segurança e estratégias de defesa em caso de ataque.

Onde Ficar?

O Casa Hacienda Achamaqui é uma ótima opção de hospedagem para quem vai conhecer a região. O belíssimo casarão no estilo colonial está aos pés de uma colina e tem um clima rústico e aconchegante. A filosofia do local é priorizar as atividade turísticas locais seguir a linha sustentável sempre muito  comprometida com a região. Sendo assim eles tem diversos trabalhos com artesãos locais e com a comunidade ao redor, fazendo com que toda redondeza sinta-se parte do que eles oferecem para casa visitante.

O serviço é muito atencioso, os funcionários fazem de tudo para que os hospedes estejam, bem em todos os sentidos. O restaurante serve uma gastronomia peruana muito saborosa. O clima é de aconchego total.

Em alguns dias antes do jantar eles preparam uma grande fogueira para os hóspedes se aquecerem enquanto comem deliciosos marshmallows.

Além das acomodações a Casa Hacienda tem também duas Villas que acomodam até 5 pessoas. Eles oferecem também serviços de passeios pela região.

Onde comer

Os restaurantes da região são bem simples e servem comida local. Bom para ter uma experiência junto a comunidade pois a maioria dos restaurantes é comandado por gente que nasceu e vive alí. A Viajes Pacifico investe nestes restaurantes para que possam crescer e receber o turismo e assim fazer a economia local girar.

Para um almoço ou jantar mais sofisticado visite o Gocta Lodge que além de ser um ótimo hotel tem um restaurante lindo de frente para as montanhas com uma gastronomia peruana deliciosa!

Como chegar

Chachapoyas fica a cerca 1400 km da capital Lima e não tem vôo direto. O aeroporto mais próximo é o de Jaen. Há vôos diários de Lima – Jaén – Lima com duração de 1:20hs.

Quando ir

De abril a novembro, quando não é período de chuvas é a melhor época para a visita, mas lembrem-se que o clima no Peru se altera com facilidade e em um único dia podemos ter as quatro estações do ano bem definidas. Leve aos passeios um casaco e uma capa de chuva.

Aproveite para conhecer essa região ainda pouco explorada. É uma questão de tempo para aumentar a procura por seus belos atrativos turísticos.

O LeBlog fez esta viagem à convite da Viajes Pacífico e SMarketing.

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